domingo, 24 de outubro de 2010

mais um conto.

Era por volta das onze da manhã quando levantei de minha cama me arrastando, eu, usualmente, nunca durmo tanto assim, mas a noite passada pediu que eu abrisse uma exceção...
Após fazer minha toalete matinal, dirigi-me até a cozinha, minha mãe estava lá, como o habitual de domingo, lendo sua revista...

- Boa dia,meu filho. Não coma, iremos sair já já, hoje quero que você e sua irmã conheçam umas pessoas...

Bem, minha reação foi praticamente nula, só fiz pegar meu leite,não funciono sem ele, e segui para o meu quarto.

Quando passava pouco mais de meio dia, estavamos todos no carro de minha mãe indo ao restaurante...

- Meus filhos, por favor sejam divertidos e simpáticos, sejam vocês mesmos. - Disse minha mãe.
- Mãe, é pra nós sermos nós mesmos ou divertidos e simpáticos? - Respondi com um leve tom de ironia.

Chegamos ao restaurante, era um dos meus favoritos, o que significava lá vem chuva...

Entramos no restaurante, minha mãe se dirigiu a uma mesa grande onde havia um homem alto em pé.

- Crianças, esse é o namorado da mamãe. - Disse ela dando um beijo no homem.
- Muito prazer. - Eu e minha irmã falamos em conjunto.
- Onde estão...? - Perguntou minha mãe ao namorado.
- Ele está estacionando o carro, sabe como é acabou de tirar a carteira...

Quando ele tinha acabado de dizer isso, a porta do restaurante abre, um jovem casal entra, percebi que eram irmãos pelo modo que andavam distantes. Eles se dirigiram a nossa mesa. Quando finalmente pude notar o rosto dos dois quase tive um ataque do coração, e pela reação da minha irmã, ela também.

- Bem. - Disse o namorado. - Esses são meus filhos.

Houve um momento de silêncio. Ainda estava em estado de choque, era como se eu e minha irmã estivéssemos olhando através de um espelho e vendo nossos reflexos com roupas diferentes, eles eram iguais, mas quando eu digo iguais é isso mesmo que quero dizer, cópias perfeitas, a única coisa que nos diferenciava eram as roupas, até os cortes de cabelo e as entradas de calvice que eu tinha eram iguais as do rapaz a minha frente.

- M-m-muito p-pr-prazer. - Dissemos eu e meu reflexo ao mesmo tempo e com as mesmas gagueiras.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre a inspiração.

Como alguém uma vez me disse..." A vida é feita de momentos", cabendo somente a nós dizer se esses foram bons ou ruins.

Vai te dizer que não teve um dia que o simples fato do Sol brilhar não te fez mais feliz, ou quando você acordou e sentiu uma inspiração repentina.
Bem, sobre esses momentos de inspiração eu comecei a pensar...
Quando nós temos uma paixão, seja essa por um esporte, por uma rotina, por uma dança... até mesmo por uma pessoa, a vida parece mais leve, mais criativa, quando nosso organismo recebe aquele tsunami de hormonios de nomes difíceis que nos deixam apaixonados, acredito que várias áreas dos nossos cérebros começam a trabalhar de uma forma diferente. Começamos a ver com outros olhos, sentir com outra vibração, até quando escrevemos algo, o que está escrito fica diferente.
A inspiração pode vir por meio de uma ação repentia que pode variar de uma lua cheia sobre um mar até uma colher de açúcar.

Existem momentos em que a inspiração falha... digo isso porque eu estou em um momento assim, eu fico querendo me inspirar, mas não vem nada... como um bloqueio.
Pensando nesse meu bloqueio descobri que até mesmo disso pode-se tirar uma inspiração.

Foi nesse momento que eu entendi uma música que escutei uma vez que dizia 'Que com um pouco de açúcar até remédio é um prazer'. Se você consegue ver aquilo que pode te inspirar, tudo fica mais prazeroso.

Por isso, inspire-se.

domingo, 12 de setembro de 2010

Night Sky's Edge.

Ele observava a orla do céu noturno,
procurava entre as estrelas,
e a lua no alto do céu,
passeava pelas constelações.

Imaginando se seu destino tinha sido traçado de fato,
ou se aquilo tudo haviam sido meras ilusões.

Ele observava a orla do céu noturno,
e fazia um pedido a lua:

- De um lado espelha o sol, com a força da luz menor.
Do outro escondes a sombra do meu temor mortal,
Astro dos romances,dos sonhos e da ilusão,
cura,em essência, minha dor,
ilumina o meu caminho,
guia-me ao meu amor.

Em meio aos seus pedidos,súplicas e juras,
algo da cena mudou,
um pequeno filete branco correu o firmamento.

Pensou então:
Dizem que se você ver uma estrela cair do céu,
um desejo você ganha.

Então, fechou os olhos e pediu com toda a força que podia juntar...

E de repente, ficou lá,
desejando,sonhando, perdido nas próprias ilusões,
apenas obsrvando a orla do céu noturno...

sábado, 11 de setembro de 2010

semtítulo.

Por entre desventuras de uma vida,
e romances mal resolvidos,
Calculou o dano,perdido,
e achou-se de si, uma saída,

Libertou-se dos velhos hábitos,
e De sua memória enlouquecida,
Adquiriu uma nova forma de ver a vida,

Viveu entre o dia e a noite,
Nas esquinas de uma ilusão,
Perdeu e achou o dito amor,
e pôs um fim na solidão,

Amou como se tinha de amar,
de forma verdadeira e delirante,
Fez da vida sua amante,
e passou logo a voar,

Ao pôr-do-sol,
deixou um bilhete em cima da mesa,
dizendo com carinho e com tristeza,
que talvez não fosse voltar.

Antes que a lua subisse ao céu,
No momento em que perdia-se a certeza,
Descobriu o que havia por trás do véu,
E deixou o Mundo com leveza.

sábado, 28 de agosto de 2010

Construção 2

Aos amigos de corpo,
Que a sua presença,
Esteja sempre comigo,
Mesmo na felicidade ou no castigo,
E me enchendo de esperança.

Aos meus amigos de sangue,
Que meu corpo,mesmo sem vida,
Seja capaz de expor o quanto se precisa pra ser irmão,
O quão forte pode ser uma ligação,
Tão profundo e quanto à alma tange.

Aos meus amigos ausentes,
Que a sua presença seja sentida,
De forma que nem a distancia possa impedir,
Que mesmo com o fato de não está ali,
As aventuras,juntas, sempre ficaram mantidas,

Aos meus amigos perdidos no tempo,
Só o resquício da lembrança,
Torna minha alma corpo em dança,
E traz-me de volta aquilo que se perdeu,

Aos meus amigos de um futuro próximo,
Ao chegarem a mim,
Mostrem o coração,
Que façam-se das almas união,
E perdure até o fim,

À minha amiga, e futura amante,
Em uma espera sem fim,
Perco-me mais e a cada instante,
Desejo-te mais de forma louca e delirante,
E fique logo junto a mim.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Parque

Não sei se o que eu vou dizer faz muito sentido, mas enquanto eu vasculhava a minha mente atrás de algo de produtivo pra pensar, eu me deparei com uma idéia, ou melhor, com uma comparação, uma relação entre a vida e o parque de diversões.
A vida, como as montanhas russas, é cheia de altos e baixos, tem horas que você tá lá no alto, e é tão alto que você consegue ver tudo. Com a montanha russa, aprendi a ver as diferenças, aprendi a diferenciar, a saber, que o mergulho no vazio pode te encher de alegria, isso se você arriscar. Com a Montanha Russa eu conheci a Diferença.

Elevador, nossa, tá aí um brinquedo que me dá um calafrio da porra! Ele sobe, sobe e continua subindo... Depois de atingir o limite ele te trás de volta ao chão. O elevador , com a sua digna frase ‘bota pra subir’, me ensinou a explorar o mundo, e a aprender que TUDO PASSA, tudo na vida vai passar, seja a tristeza, a ira... Até mesmo o amor, e, com o Elevador, aprendi a valorizar os momentos, pois esses podem não voltar. Com o Elevador aprendi a Guardar os bons momentos e as sensações de um passado.

Carrossel e o Espalha Brasa, caralho caramba, sabe dois brinquedos que me ensinaram muito, foram esses dois. Eles giram, e te fazem perceber que no fim, tudo há de ficar bem, você gira,gira e vai girando, vai dando voltas e voltas, você vê tudo mudar, com o Carrossel e o Espalha Brasa eu aprendi a Evoluir, a me deixar levar e aprender que o mundo tem muito a Ensinar, isso, se quem estiver rodando estiver disposto a Aprender.

Simuladores, porra, seja os de alta velocidade como o Test Track, sejam os que te levam a lugares diferentes como o Soaring e o De Volta Para o Futuro, os simuladores te levam a lugares novos, porém, no fim, você descobre que tudo aquilo foi só uma ilusão, os simuladores te mostram a Verdade da vida. Eles mostram que, às vezes, o mundo vai te enganar, mas você tem que ser esperto, ver além do óbvio.

No fim, o parque de diversões ainda me ensinou outra coisa muito importante, a vida é uma jornada que tem que ser divertida, porém alguns cuidados tem que ser tomados, mesmo que surjam crises de taquicardia, ou calafrios na barriga, a vida esta aí e deve ser vivida, mas lembrem-se de usar o cinto de segurança e deixar seus braços sempre dentro do brinquedo, se tiver muito medo, feche os olhos, tire seus óculos 3D e respire, mas aproveite a corrida, nunca se sabe se quando acabar a fila vai dar tempo de ir novamente. Aproveite ao passeio.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Conto.

Era uma noite fria, tão fria que, até a escadaria do prédio estava gelada, estava tudo tão gelado que, mesmo subindo os 15 andares de escada, meu corpo não parecia capaz de suar, o corrimão, parecia ser feito de gelo.
Eu não sei o que incomodava mais, o frio do ambiente, meu coração batendo de forma maníaca ou o embrulho do meu estômago.
Eu tive certeza quando alcancei a porta, sabia que através dela eu encontraria o que eu estava procurando, meu coração juntava a emoção do que estava por vir com o exercício para alguém fora de forma,como eu estava.
Eu alcancei a maçaneta, então, prendendo o ar dentro de meus pulmões, o único som que eu podia ouvir era o do tambor que havia tomado o lugar do meu coração... Abri a porta.
A noite estava barulhenta, os sons das ambulâncias e dos carros enfeitavam o fundo como trilha sonora, o céu estava claro, a lua parecia ter ligado um foco naquele telhado, junto ao parapeito eu pude vê-la.
O cabelo escuro estava bagunçado e tinha um contraste com o vestido vermelho que ela usava, seus olhos verdes estavam mareados, sua maquiagem toda borrada e suas bochechas, outrora brancas, estavam escarlate.
Pra quem a visse de fora, ela podia parecer uma louca, mas pra mim, eu nunca a tinha visto tão linda.
Ela virou, seus olhos se encontraram com os meus, aparentemente, meu corpo não podia produzir movimentos, eu tinha medo de que se algo se mexesse quebraria a mágica do momento. Eu estava enganado, o momento seguinte, e os que se decorreram após eram capazes de serem mais mágicos.
Caminhamos um em direção ao outro, estávamos juntos naquele abraço, podíamos sentir nossos corações, os movimentos de sístole e diástole estavam sincronizados.
- Depois de tanto tempo. – Sussurrei.
Ela apenas ficou lá, me abraçado, seus braços envolvidos em mim, eu me sentia seguro, e mesmo com a temperatura fria, eu me sentia aquecido, como se o simples fato de estarmos juntos podia transformar aquela noite de inverno em uma noite quente de verão.
- Eu senti sua falta. – Ela disse, finalmente saindo do estado de transe, sua voz era doce, porém percebia-se uma tristeza. – Aconteceu tudo tão rápido...
- Shhh! – Eu a interrompi. – Você não precisa me falar, teremos tempo para isso mais tarde.
- Eu senti saudades dessa sua capacidade de me compreender melhor do que eu mesma.
Eu e ela caminhamos até uma parede próxima e sentamos no chão.
- Aqui. – Disse eu, tirando uma pequena caixa do bolso interno do meu casaco.
Ela abriu devagar e de um modo suave.
Ao desembrulhar, tirou a pequena rosa de dentro.
- A rosa. – Disse ela me olhando de modo profundo, mas, ao mesmo tempo, revigorada, como se aquela pequena rosa fosse um bálsamo para a alma dela.
- Tem mais. – Eu disse, indicando algo que ainda estava dentro da caixinha.
- O meu colar. – Disse ela de forma lenta e surpresa.
Um arrepio cobriu minha pele, talvez fosse uma faísca, uma faísca de uma antiga chama que voltava a ascender.
- Eu só queria... – Comecei a falar, mas fui interrompido.
- Teremos tempo mais tarde... – Disse ela, colocando em seus lábios um singelo sorrido e depois, a única coisa que tive certeza foi de sentir o gosto adocicado dela em minha boca.
Ao longe, os primeiros raios de sol quebravam o escuro daquela noite.